Jornalista
A previsão é de que as commodities -ferro, petróleo, soja, açúcar, aço e celulose- responderão por 75% das exportações brasileiras. Quem anuncia é Nilson Teixeira, economista-chefe do Crédit Suisse, referendado por José Augusto de Castro, vice-presidente da Associação de Comércio Exterior do Brasil. Para Castro os preços internacionais estão tão bons que "se melhorar estraga".
A locomotiva das exportações, portanto, são ferro e petróleo, responsáveis por mais da metade do comboio.
Não faz muito tempo, o petróleo era o vilão da nossa economia. Por causa dele, o milagre brasileiro foi devorado nas chamas da inflação e da dívida externa que consumiam todas as reservas monetárias de um país em agonia no interior dos caldeirões da OPEP, a Organização dos Países Exportadores de Petróleo.
Com o novo milênio, veio o pré-sal, anunciado como salvação do Brasil e dos brasileiros. Em 2008, a crise. Os preços do petróleo despencaram no mundo a partir de julho de 2014, saindo de incríveis 108 para 29,78 dólares o barril em janeiro de 2016. No país pós-eleição, a esperança virou arma no combate ao governo que se desmilinguia entre escândalos, contradições e as manobras pouco ortodoxas com que se tentava derruba-lo.
Logo vieram os profetas do apocalipse bradar que nossas jazidas submarinas estavam inviabilizadas. O Brasil havia cometido grave erro investindo bilhões de dólares numa aventura que nunca daria certo.
O senador José Serra, em artigo na Folha de S. Paulo, diagnosticou que extraído ao custo entre 25 e 32 dólares o barril, o pré-sal não tinha salvação com o modelo de exploração adotado. Aproveitou para aprovar um projeto dando facilidades às empresas estrangeiras na exploração do pré-sal.
Em outro front, o presidente da Petróleo Pré-Sal S.A., Oswaldo Pedrosa, armou-se com custos de extração entre 40 e 45 dólares, prevendo para Celso Ming, colunista do Estadão, que não havia salvação. Os preços das commodities não se recuperariam tão cedo.
Aí o pré-sal virou arma de terrorista na guerra entre coxinhas e mortadelas. Os ataques, quase sempre baseados em fakenews, encontravam nas redes sociais o ambiente propício para mentiras, desinformação e desaforos.
Vasculhando-se arquivos dos principais jornais e revistas descobre-se que a situação não era a pregada pelos profetas. Já em 2014 sabia-se que o custo de extração do barril de petróleo, no pré-sal, confirmado pela atual diretora de exploração e produção da Petrobrás, Solange Guedes, despencara para 14 dólares. Menos da metade do preço do barril no mercado internacional, em seu pior momento.
Em maio deste ano, o presidente da Petrobras, Pedro Parente anunciou nova queda: 8 dólares. Dias depois, com o aumento da produção, a diretoria de exploração anunciava mais uma redução de custos: menos de 7 dólares por barril retirado no pré-sal.
O petróleo, que em 2013 deixara um rombo de 20 bilhões de reais na nossa balança comercial, agora é tábua de salvação. Estamos exportando hoje e todos os dias, 1,3 milhão de barris, conforme relatório da OPEP.
Tanto exportações devem aumentar quanto custos para extração devem cair com a entrada em operação da plataforma P66, na bacia de Santos, de uma outra no promissor campo de Libra, mais a P67, no campo de Lula e a Cidade de Goytacazes, no mesmo campo, em 2018. Vai ser muito, mas muito mais petróleo.
Com isto, é possível estimar-se que o preço de extração vai se aproximar do conseguido pela Arábia Saudita, o mais barato do mundo: 5 dólares por barril.
Não serão as tais reformas que farão o país avançar. Pelo menos, ainda. Por hora, quem está pagando as contas é o pré-sal, sobre o qual tanto se mentiu.
E para encerrar: a cotação do petróleo está fechando novembro acima dos 62 dólares, o barril.