A posse, a primeira-dama e o herdeiro


Antônio Melo, Jornalista - Fernando Collor começou o seu festejado governo sob as palavras retumbantes do repórter Alexandre Garcia, embaladas pelos acordes da trilha sonora do filme Indiana Jones, sensação da época, descendo uma das escadas do Palácio do Planalto para receber seus convidados no dia seguinte à posse, incensado pelo Jornal Nacional.
Afinal, o “caçador de marajás” chegara para salvar o país. E o povo brasileiro, crédulo, o aplaudia. Pela manhã, alí mesmo no Planalto, até o vice-presidente dos Estados Unidos, Dan Quayle, era um dos chefes das 72 delegações estrangeiras que se fizeram representar nas cerimônias de posse do intrépido cavalheiro das Alagoas que assumia a Presidência do maior país da América Latina. Na esplanada, mais de 100 mil pessoas se aglomeravam em cenas de patriotismo explícito.
Nem mesmo Fernando Henrique Cardoso, que contou com a assistência de 120 delegações estrangeiras, mereceu um vice-presidente da maior potência do mundo por aqui para prestigiar a sua posse. Ao receber a faixa presidencial das mãos de Itamar Franco, havia na Esplanada dos Ministérios um público calculado em 40 mil pessoas, dizem os jornais da época.
Lula, empossado na presença de 110 delegações estrangeiras, recebeu a faixa de Fernando Henrique perante 200 mil pessoas, segundo a revista Época, com base em números da Polícia Militar do Distrito Federal.
Dilma foi a campeã em prestígio internacional. Tomou posse perante 130 delegações estrangeiras. Mas na Esplanada, o público registrado pelo G1, site da Globo, foi de apenas 30 mil pessoas.
Já à posse do presidente Jair Bolsonaro, se fizeram representar 46 delegações estrangeiras. Os Estados Unidos, apesar do alinhamento anunciado desde a campanha, da continência à bandeira americana e da prometida transferência da embaixada brasileira de Telavive para Jerusalém, se fez representar apenas pelo secretario de estado Mike Pompeo. Lá fora, na Esplanada, 115 mil pessoas, cálculo da PM, assistiram os atos.
Do meu ponto de vista, foi tocante a quebra do protocolo ensejada pela primeira-dama, Michelle Bolsonaro, com o seu discurso voltado aos surdos. Realmente um ponto alto da cerimônia. Agora, por outro lado, é preciso avisar aos “meninos” de Bolsonaro que só o pai deles foi eleito para a Presidência. Presidente não tem herdeiro. Tem sucessor. E nisso nenhum deles está incluído. O primeiro sucessor é o vice, general Mourão. Depois, o presidente da Câmara, em seguida o do Senado, o do Supremo Tribunal Federal. Não existe hipótese de um dos filhos herdar a Presidência.
Ficou feio demais o “filhote” ali de “papagaio de pirata” no Rolls Royce, vez ou outra acenando para a multidão. Está na hora de avisar os meninos que isso não se faz; que existe uma coisa chamada “liturgia do cargo” e que é preciso respeitar. Também seria bom que não ficassem falando pelo governo, dando palpites. Não têm legitimidade para isso.
Agora, o primeiro ato depois de empossar os ministros, doeu. O novo salario mínimo: aumento de 44 reais. Traduzindo: R$ 1,47 reais por dia, a mais. Não dá nem para pagar meia passagem de ônibus. Fazer o que com esse dinheiro todo?

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