Welyson Lima: A Linguística e outras Ciências

O artigo desta semana do colunista que aqui vos fala, volta-se a falar sobre aquilo à qual muito me compraz. Em poucas linhas, procurarei especificar de uma maneira mais clara, o que é essa “ Linguística” que tanto se fala e se ouve falar nos Cursos de Letras. Sendo assim, este artigo terá uma importância significativa, haja vista para os leigos sobre o assunto do que seja “ Linguística”, procurarei aqui pelo menos minimizar as dúvidas que permeiam nos mesmos. Sempre fui muito indagado por colegas acadêmicos de outros cursos sobre o que era essa “ Linguística, o que significava, qual a importância dela na área das Letras e das Ciências Humanas como um todo.
Bem, penso que não só para mim como para todo acadêmico ou profissional de Letras, torna-se muito difícil em uma conversa informal explicar o que é Linguística. E penso também que diante dessa pergunta numa conversa informal, vale ressaltar, os profissionais ou estudantes de Letras dirão: “ – Linguística é a ciência das línguas humanas”. Pois bem, começo dizendo que a Linguística não se limita ao estudo de uma língua específica (como por exemplo a nossa língua materna), nem tampouco ao estudo de uma família de línguas. Ela não é nem o estudo isolado do português, do espanhol, do inglês, da língua de sinais brasileira (LIBRAS), nem é o estudo de um conjunto de línguas aparentadas, como as línguas indo-europeias, as línguas orientais, as línguas semíticas, as línguas bantas etc. A Linguística é o estudo científico da língua como um fenômeno natural.
De certo que, quanto mais avançamos nossos conhecimentos sobre as características das mais variadas línguas naturais, mais formamos um entendimento do que é a língua como um todo. Como tudo o que se refere ao homem, a língua envolve vários aspectos. E nesse sentido, a Linguística mantém um diálogo forte com várias outras ciências, como a biologia (a língua é parte da biologia humana, ressalte-se), a neurofisiologia, a psicologia, a sociologia.
Sabe-se que a língua é parte da cognição humana. Por isso, cabe à Linguística investigar a relação entre a língua e pensamento, e suas conexões com nossa capacidade motora, com nossa percepção visual e auditiva, assim como investigar como essas conexões operam na construção de significados. Por este motivo peculiar, disciplinas tipicamente do Curso de Letras como Semântica e Pragmática vão buscar tratar de alguns pontos relacionados a essa área de estudo da Linguística. No que diz respeito à relação da Linguística com a Biologia, necessário se faz dizer que cada vez mais os estudos linguísticos têm se interessado pela parte biológica da língua, havendo, inclusive nesses estudos, hipóteses sobre as mudanças que teriam ocorrido na genética dos hominídeos de modo a fazer surgir a língua. Ainda nessa relação da Linguística com a Biologia, há teorias que acreditam que algumas características do conhecimento linguístico que os homens têm são parte da dotação genética de espécie humana.
Por outro lado, a relação da Linguística com a Neurofisiologia torna-se de suma importância e só enriquece ainda mais o campo científico de estudo. A Linguística associada a Neurofisiologia estuda quais partes do cérebro estão envolvidas na produção e na compreensão da língua, e como ocorrem as afasias, que são perdas linguísticas, em geral causadas por acidentes vasculares cerebrais ou por traumatismos cranianos. Ela estuda ainda as características físicas e motoras do aparelho fonador. A língua é também um fenômeno social, sendo talvez nem tanto necessário especificar aqui o porquê da relação que a Linguística mantém também com a Sociologia. Mas vale aqui lembrar que as línguas emergem sempre que dois seres humanos entram em contato. Pelo fato de a língua ser social, a Linguística precisa entender as relações entre língua e cultura, entre língua e classes sociais, e entre uma língua e outras línguas que estão em contato com ela. Sendo essas relações importantes porque elas estão associadas a alguns fenômenos de grande interesse, como a variação e a mudança linguísticas. No Curso de Letras, esses fenômenos vão ser estudados numa disciplina chamada de Sociolinguística (Línguistica+Sociologia). Outra pergunta que é frequente: Como se chama o profissional de Linguística?
O profissional de Linguística é o linguista. Cabe ao linguista observar e descrever as línguas exatamente como elas se apresentam para ele, sem qualquer juízo de valor. O linguista também busca explicações para a capacidade que as pessoas têm de falar ou sinalizar e para a capacidade que elas têm de compreender uma língua, assim como também para o conhecimento que qualquer falante tem a respeito dos sons ou gestos, das palavras, das sentenças, dos discursos e dos textos de sua língua.
Diante das brevíssimas e sucintas explanações que fiz até aqui, já se pode perceber que a Linguística não é apenas um campo cientifico de estudo das línguas humanas, mas acima de tudo um campo fecundo que abrange muitas áreas do saber e que apresenta uma riqueza de teorias imensuráveis.


Por Welyson Lima
Welyson Lima é natural de Bacabal. Nasceu em 03/07/1992. Cursou o Ensino Médio na antiga Unidade Integrada de Ensino Roseana Sarney (hoje Centro de Ensino Isabel Castro Viana). Em 2011 ingressou no Curso de Letras (Português/Espanhol, respectivas Literaturas) do CESB-UEMA vindo a graduar-se no 2º semestre de 2014. Já obteve aprovação em muitos concursos vestibulares, tais quais: aprovado em 2012 à Tutoria da extinta UNIVIMA (Universidade Virtual do Maranhão), Serviço Social (CEUMA-2015), Comunicação Social (UFMA-2015), Ciências Humanas-Sociologia (UFMA-2015), Jornalismo (UNICEUMA-2015) e também neste mesmo curso na Faculdade Estácio de Sá (São Luís-MA) no 1º semestre de 2016. Como Letrólogo, sua área de conhecimento e de especialidade é Linguística e Letras. Foi Colunista Social do Portal Castro Digital e também prestou serviços ao Jornal “ O Mearim”, onde foi revisor/ corretor textual e redator. Cursou Iniciação Teatral através da Semuc de Bacabal (2013). É agente cultural, atua no grupo de Teatro “Faces da Arte”, onde assume o cargo de Secretário Geral. É também professor. Seu maior prazer é ler/escrever (uma atividade que considera constante e necessária). Entre as leituras múltiplas às quais gosta, estão incluídas: as poesias de Castro Alves, obras de Machado de Assis, bibliografias da área da Linguística Aplicada, obras sociológicas de Émile Durkheim, Max Weber, Karl Marx, obra do filósofo Michel Foucault e seus intérpretes, as crônicas de Edgar Moreno, entre dezenas de outras tantas literaturas. É fascinado em Teatro e outras expressões artísticas, já atuando inclusive, como ator amador. Participou dos curtas “ Tô fora” e “ Visão de um dependente químico”. Escreveu juntamente com o poeta e cronista Costa Filho, a peça teatral “ O saco do pobre” (2013) e escreveu também a peça “ Bacabal, conta sua história!” (2016).

1 Comentários

  1. Falar de Linguística é um assunto nobre, pois embora essas teorias não nos sejam essenciais à vida, são elas que nos revelam as belezas da língua, o talento humano, além do incentivo à uma vida acadêmica, que é o que almejamos aos nossos jovens.
    Grato por nossa obra (Costa Filho e Edgar Moreno) está entre as preferidas de um leitor tão dado às Letras como você.

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