Hoje me deparo diante de um grande momento e de um nobre encargo. Conceber uma crônica que aborde minha estreia neste periódico. Como todo texto careça de uma introdução, sigamos o paradigma da evolução textual para não adentrarmos abruptamente nesse universo, muitas vezes de palavras crônicas, de crônicas ideias e crítica recepção, fato que para mim ainda se me afigura como um enigma. Não a crônica em si, que já a conheço de perto, mas a sua publicação e, sobretudo, o juízo que tu, leitor, me fará dela. Não coloquemos, porém, o carro à frente dos bois. Que venha primeiro o escrito; as decorrências hão de seguir seu próprio trajeto.
Por onde começar, diria o cronista, pelo início, pelo meio ou pelo fim? Isso me lembra o glorioso e também cronista Machado de Assis em suas Memórias póstumas de Brás Cubas, cujo protagonista começa narrar sua história pelo próprio enterro. Como aqui não haja enterro (a coluna nasce agora) e nem se cogite personagem que se possa matar por antecipação, comecemos do começo. Ou melhor, continuemos, pois já vai longe a crônica. Falemos dos inícios. E para fazer jus ao termo, partamos do ponto mais remoto de todos os princípios − o gênesis.
“No princípio criou Deus os céus e a terra. [...] E disse Deus: haja luz. E houve luz”, é o que se lê no capítulo e versículos iniciais da Bíblia Sagrada. A grande meditação aí é que, (à parte a teoria criacionista de Charles Darwin), biblicamente todas as coisas emanam do verbo, ou seja, da palavra, e por consequência esta vem, ao longo do tempo exercendo um extraordinário poder entre os homens. Quantas histórias de final glorioso ou trágico em função da palavra bem ou mal colocada! A passagem também nos remete a outros inícios e recomeços, às primeiras coisas que nos marcam, como o primeiro beijo, o primeiro amor, o primeiro dia de aula e professor, o primeiro emprego, o primeiro casório (quando se quer num segundo acreditar no recomeço conjugal).
Diz a sabedoria popular que “o ‘primeiro’ a gente nunca esquece” e que “a primeira impressão é a que fica”. De fato, como poderia esquecer-me daquele primeiro beijo, ansioso e realizado, sob o chuvisco noturno de um guarda-chuva? Do meu primeiro amor até hoje não correspondido? Da professora e diretora Zizi e da escolinha de taipa Miguel Bahures? Do meu primeiro patrão e contador Edeilson de Sousa Araújo e sua incipiente CONTEC próximo à agência central dos Correios? Como esquecer a camisa listrada que ele me deu sem embrulho de natal ainda nos anos 80? Enfim, como esquecer os idos anos da infância e outros tantos começos?
E para pôr fim nesses inícios, alegra-me, que geralmente eles pressupõem esperança, crescimento, sucesso e realização, e a primeira impressão que me fica desta crônica, não é propriamente minha, mas nossa, leitor: de algum modo tu também habitas e te encontras nessas linhas que concluo por agora. E não é essa uma das funções da crônica? Fiquemos, pois, no aguardo do próximo exemplar.
COSTA FILHO, João Batista da que também representa o heterônimo Edgar
Moreno.
Por onde começar, diria o cronista, pelo início, pelo meio ou pelo fim? Isso me lembra o glorioso e também cronista Machado de Assis em suas Memórias póstumas de Brás Cubas, cujo protagonista começa narrar sua história pelo próprio enterro. Como aqui não haja enterro (a coluna nasce agora) e nem se cogite personagem que se possa matar por antecipação, comecemos do começo. Ou melhor, continuemos, pois já vai longe a crônica. Falemos dos inícios. E para fazer jus ao termo, partamos do ponto mais remoto de todos os princípios − o gênesis.
“No princípio criou Deus os céus e a terra. [...] E disse Deus: haja luz. E houve luz”, é o que se lê no capítulo e versículos iniciais da Bíblia Sagrada. A grande meditação aí é que, (à parte a teoria criacionista de Charles Darwin), biblicamente todas as coisas emanam do verbo, ou seja, da palavra, e por consequência esta vem, ao longo do tempo exercendo um extraordinário poder entre os homens. Quantas histórias de final glorioso ou trágico em função da palavra bem ou mal colocada! A passagem também nos remete a outros inícios e recomeços, às primeiras coisas que nos marcam, como o primeiro beijo, o primeiro amor, o primeiro dia de aula e professor, o primeiro emprego, o primeiro casório (quando se quer num segundo acreditar no recomeço conjugal).
Diz a sabedoria popular que “o ‘primeiro’ a gente nunca esquece” e que “a primeira impressão é a que fica”. De fato, como poderia esquecer-me daquele primeiro beijo, ansioso e realizado, sob o chuvisco noturno de um guarda-chuva? Do meu primeiro amor até hoje não correspondido? Da professora e diretora Zizi e da escolinha de taipa Miguel Bahures? Do meu primeiro patrão e contador Edeilson de Sousa Araújo e sua incipiente CONTEC próximo à agência central dos Correios? Como esquecer a camisa listrada que ele me deu sem embrulho de natal ainda nos anos 80? Enfim, como esquecer os idos anos da infância e outros tantos começos?
E para pôr fim nesses inícios, alegra-me, que geralmente eles pressupõem esperança, crescimento, sucesso e realização, e a primeira impressão que me fica desta crônica, não é propriamente minha, mas nossa, leitor: de algum modo tu também habitas e te encontras nessas linhas que concluo por agora. E não é essa uma das funções da crônica? Fiquemos, pois, no aguardo do próximo exemplar.
COSTA FILHO, João Batista da que também representa o heterônimo Edgar
Moreno.