Lula investe em Renan, Jader e Sarney por votos anti-impeachment

Com informações de O Estadão

Responsável pela obra, a construtora OAS teria bancado reforma de R$ 770 mil no tríplex 164-A, sob a supervisão da família de Lula

Enquanto a Comissão de Impeachment julga Dilma Rousseff, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva corre por fora na tentativa de articular alguma ação em seu favor. O ponto de interrogação foi levantado após ele ter tido uma longa reunião com Jader Barbalho, ontem, no apartamento do senador peemedebista, em Brasília. Lula, atualmente, é o articulador informal do governo enquanto aguarda decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) sobre sua nomeação para a Casa Civil.

O fato aconteceu dois dias depois em que o diretório nacional do Partido do Movimento Democrático Brasileiro (PMDB) anunciou a sua saída da base governista. Mais curioso ainda foi que no Maranhão, nem todos aderiram à iniciativa. De acordo com o senador João Alberto, presidente do diretório estadual, apesar da orientação nacional, os peemedebistas daqui não devem entregar nenhum cargo. Por outro lado, a ex-governadora do estado Roseana Sarney foi a única a comparecer, e disse: “Eu faço parte da Executiva Nacional. Aqui é um colegiado que define como um só. Estou acompanhando o partido".

O quadro começa a ficar mais interessante quando no dia da convenção uma ala do PMDB considerou que Michel Temer rompeu o acordo, já que a determinação era de que todos os filiados ao partido deixassem seus cargos. As bancadas parlamentares do Pará, Alagoas e Maranhão, representadas pelos senadores Jader Barbalho (PA), Renan Calheiros (AL) e José Sarney (AP), não compareceram à reunião do partido que selou a debandada do governo, despertando o interesse de Lula.

O resultado do encontro com Jader pode ser medido na edição de hoje do Diário Oficial da União, com a indicação de Luiz Otávio Oliveira Campos para a diretoria-geral da Agência Nacional de Transportes Aquaviários (Antaq). Campos, que ainda terá de ser sabatinado no Senado antes de ser efetivado na agência reguladora, é hoje o secretário executivo da Secretaria dos Portos, comandada pelo ministro Helder Barbalho, um dos seis peemedebistas que ainda integram o ministério de Dilma.

Helder fica no governo, a despeito da orientação da cúpula do PMDB, decisão tomada por aclamação na terça-­feira. Ele e o pai irão trabalhar para arregimentar votos a favor de Dilma no processo de impeachment.

Em entrevista concedida ontem ao Estado, Jader Barbalho deixou claro que não concorda com a decisão do PMDB, o que sinalizaria uma divisão de interesses apesar da decisão do diretório nacional. Barbalho esteve, semana passada, com o vice-presidente Michel Temer, em São Paulo. No encontro, selaram um acordo que fixava prazo até 12 de abril para os ministros do partido deixarem o governo.

Ontem, a ministra Kátia Abreu escreveu no microblog Twitter que os seis ministros peemedebistas - Henrique Alves, o sétimo, fiel escudeiro de Temer, entregou o cargo no dia da decisão anunciada pelo PMDB ­- permanecerão no governo. Fez a postagem depois de ser flagrada, por um fotógrafo da Folha de S.Paulo, numa conversa por mensagens de celular na qual revelava a rebeldia dos ministros e a estratégia de se licenciarem do partido para fugir do risco de expulsão. A despeito da tentativa de demonstrar unidade, com a decisão por aclamação, o PMDB está expondo cada vez mais sua divisão interna.

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