E se uma heroína aparecesse para resolver a situação política do Brasil?
Foi pensando nisso que a escritora Patrícia Baikal escreveu o livro Mariposa- Asas que mudaram a direção do vento. Entre março e abril, a obra ficou em 1° lugar entre os mais vendidos de mistério e suspense na Amazon.
A escritora criou uma heroína brasileira capaz de combater a corrupção: Mariposa, uma mulher mascarada como os heróis de histórias em quadrinhos.
A história central – sobre jogos de poder e política em uma Brasília futurista de 2020 – é narrada por Nicolas, um jovem senador determinado em denunciar crimes de corrupção no Senado Federal. Mariposa aparece na trama para ajudá-lo a desvendar os atos criminosos de seus rivais políticos e, juntos, vivem uma grande paixão. Durante a narrativa, a escritora lança mão do realismo fantástico e atiça a curiosidade do leitor até o fim com a questão: qual é a verdadeira identidade da Mariposa?
Mas quem é Patrícia?
Nascida em Campo Grande, no Mato Grosso do Sul, depois ainda bebê foi morar em Uberlândia, em Minas Gerais, local em que passou a infância, adolescência e parte da vida adulta. Para a escritora, as suas maiores inspirações vêm da infância em terras mineiras. Foi lá que ela cresceu escutando histórias… “O meu avô paterno me contava histórias tão fantásticas que pareciam até criadas pela imaginação dele, como por exemplo, sobre as manhãs em que acordava assustado, ouvindo alguém acordá-lo, sacudindo sua cama. Mas quando ele acordava ninguém estava lá”, se recorda Patrícia. De ouvinte, ela passou a contadora. Em brincadeiras de imitação, quem ouvia suas falações era o irmão mais novo, Paulo. “Eu adorava contar histórias para ele. Acho que ele foi o primeiro a escutar o que eu tinha a dizer as minhas histórias fantasiosas”, lembra. Todo esse realismo fantástico acabou por ser levado ao livro, que guarda um pouco desse misticismo que vem de família.
Paixão que começou cedo
Aos 8 anos, a sul-mato-grossense não desgrudava do diário, em que escrevia sobre sua vida, dia a dia e mil e uma reflexões. “Os diários se tornaram um refúgio infantil, um lugar em que eu poderia dizer o que quisesse. Isso foi muito importante para mim quando perdi minha mãe aos seis anos de idade”, diz a autora. Foi logo aos treze anos que ela escreveu a primeira peça teatral, “Esperança Viva”, encenada no teatro Rondon Pacheco, em Uberlândia.
Como surgiu a ideia do livro?
Formada em direito, Patrícia nunca deixou de lado a vocação para a literatura. Ao se mudar para Brasília após passar em um concurso público, o cenário político a atraiu e a inspirou a dar início ao romance. “Escrever o livro foi a forma que encontrei para falar sobre o momento político atual que estamos vivendo e apresentar possibilidades de mudança”, conta. Não é à toa que a escritora sugere no romance uma proposta concreta de amenizar a corrupção: uma Emenda Constitucional ao artigo 55 da Constituição Brasileira.
Processo de criação
A escritora, que é fã de clássicos como 1984, de George Orwell, e A Metamorfose, de Franz Kafka, fez visitas guiadas ao senado para conferir cada detalhe do plenário, pesquisou sobre as várias espécies e nomes científicos de mariposas e ainda estudou sobre organizações invisíveis como a maçonaria. Para criar Mariposa, a personagem mascarada que luta contra a corrupção e omite sua identidade, a autora se inspirou em heróis de histórias em quadrinhos. Então, teve a ideia de criar uma heroína brasileira. “São nos momentos de crise política que surgem os verdadeiros heróis. Foi assim com o Capitão América, célebre personagem americano que surgiu no auge da crise de 29 e com o Homem de Ferro, criado no contexto da Guerra Fria”, diz Patrícia. Em breve, a escritora deve lançar uma versão do livro em história em quadrinhos.
Atualmente, Patrícia Baikal mantém o blog literário
www.palavrasdebandeja.com.br, em que semanalmente apresenta contos inéditos. Alguns deles obtiveram prêmios em concursos literários. Ela também faz parte do Grupo de Literatura de Autoria Feminina e do Clube do Livro de Autores Brasilienses.
fpaulalj@gmail.com
