

Lourival Cunha, engenheiro e advogado - Caso envolvendo jovem de 22 anos no Paraná chama atenção para a vulnerabilidade de quem está sobre duas rodas. Proteção limitada e energia do impacto ajudam a explicar por que uma queda pode terminar em lesões graves ou fatais.

Em uma queda, o motociclista pode sofrer mais de um impacto. Foto: Deniska_ua para Depositphotos
Sem entrar nas causas específicas dessa ocorrência, que devem ser apuradas pelas autoridades responsáveis, episódios como esse ajudam
a compreender a vulnerabilidade de quem utiliza a motocicleta e a importância de pensar a prevenção para além da responsabilidade individual de quem pilota.
Ao contrário dos ocupantes de um automóvel, motociclistas não contam com uma estrutura ao redor do corpo capaz de oferecer proteção em uma colisão.
Não há carroceria, cinto de segurança ou outros elementos estruturais separando diretamente a pessoa do asfalto, de outro veículo ou de um obstáculo.
É por isso que, quando se fala em acidente com motociclista, evitar a ocorrência é apenas uma parte da discussão.
Reduzir a gravidade das consequências quando o erro ou o acidente acontece também precisa fazer parte da segurança viária.
Por que uma queda de moto pode ser tão perigosa?
A própria configuração da motocicleta ajuda a entender essa vulnerabilidade. Em uma queda, o motociclista pode sofrer mais de um impacto.
O primeiro pode ocorrer contra outro veículo ou objeto. Em seguida, o corpo pode atingir o pavimento e ainda se chocar contra outros obstáculos durante o deslocamento.
Velocidade faz diferença mesmo quando está dentro do limite
Quando se fala em gravidade de acidentes, a velocidade merece atenção especial.
É importante fazer uma distinção: um acidente não precisa necessariamente envolver excesso de velocidade para que a velocidade seja relevante para suas consequências.
Quanto maior a velocidade de deslocamento, maior tende a ser a energia que precisará ser dissipada em uma colisão ou queda.
Além disso, a velocidade interfere no tempo e no espaço disponíveis para perceber uma situação de risco e reagir.
Isso ajuda a entender por que obedecer à velocidade máxima indicada na placa não encerra a responsabilidade do condutor.
O Código de Trânsito Brasileiro (CTB) determina que o motorista mantenha, a todo momento, o domínio do veículo, dirigindo com atenção e os cuidados indispensáveis à segurança.
Capacete reduz riscos, mas não elimina a vulnerabilidade
O capacete é indispensável e obrigatório, mas é importante compreender exatamente seu papel.
Ele é um equipamento de proteção e não uma garantia de que uma queda não provocará ferimentos.
O CTB determina que motociclistas utilizem capacete de segurança com viseira ou óculos protetores. A exigência também alcança quem é transportado como passageiro.
A proteção proporcionada pelo equipamento, portanto, não deve levar à falsa percepção de que o motociclista está protegido contra todas as consequências de uma colisão.
Braços, pernas, tórax e outras partes do corpo continuam muito mais expostos do que estariam dentro de um veículo fechado.
Segurança não pode depender apenas de o motociclista “não errar”
Conforme Celso Mariano, especialista em trânsito e diretor do Portal do Trânsito & Mobilidade, a prevenção precisa ser compreendida a partir de um conjunto de fatores: método seguro, ambiente seguro e veículo seguro.
Essa perspectiva é especialmente importante quando se trata de motociclistas.
“Se toda a estratégia de segurança depender exclusivamente de o condutor nunca cometer um erro, o sistema continuará permitindo que uma falha humana tenha consequências desproporcionais”, explica.
De acordo com ele, o motociclista precisa respeitar as regras, manter distância de segurança, utilizar corretamente os equipamentos de proteção, cuidar das condições da motocicleta e adotar uma condução defensiva.
Mas a segurança também depende das condições da via, da velocidade praticada no ambiente, da infraestrutura e do comportamento dos demais usuários.
“Em outras palavras, a vulnerabilidade do motociclista exige responsabilidade compartilhada”, diz.
Acidente com motociclista precisa ser discutido além da culpa
Quando um acidente grave acontece, é comum que a primeira reação seja procurar imediatamente quem errou.
Para a segurança viária, entretanto, essa não pode ser a única pergunta.
Identificar responsabilidades é fundamental e cabe às autoridades investigar as circunstâncias de cada ocorrência.
Mas prevenir novas mortes exige também perguntar por que determinado erro ou situação de risco conseguiu produzir uma consequência tão grave e o que poderia ter reduzido essa gravidade.
No caso que motivou a discussão, não é possível atribuir causas ou responsabilidades sem a apuração correspondente.
“Por isso, reduzir acidentes com motociclistas exige mais do que cobrar prudência exclusivamente de quem pilota.
Exige motocicletas em boas condições, uso correto dos equipamentos de proteção, velocidades compatíveis com o ambiente, vias mais seguras e motoristas conscientes de que dividem o espaço com usuários muito mais vulneráveis”, conclui o especialista.
A segurança viária funciona melhor quando parte de um princípio simples: pessoas podem cometer erros no trânsito, mas esses erros não deveriam necessariamente custar uma vida. Fonte: portaldotransito.com.br
CÓDIGO DE TRÂNSITO BRASILEIRO (Lei nº 9.503/97)
Art. 33. Nas interseções e suas proximidades, o condutor não poderá efetuar ultrapassagem.
A VIOLÊNCIA DO TRÂNSITO TEM JEITO, é só as autoridades implementarem os remédios eficazes: Educação para o Trânsito, Fiscalização ampla e rigorosa e uma boa Infraestrutura das vias.
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