Antônio Melo: As más notícias e o lulismo.

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Jornalista

Ainda é cedo para qualquer avaliação mais aprofundada. No entanto, a pesquisa Datafolha, a primeira depois da confirmação da condenação de Lula e da quase certeza da impossibilidade da sua candidatura, mostrou que o ex-presidente e, possivelmente, presidiário é o eleitor número 1 das próximas eleições. Pelo levantamento, 27 por cento do eleitorado declararam que o apoio dele "com certeza" influenciará para a escolha do próximo presidente. Além destes, 17 por cento dos pesquisados disseram que poderiam votar num candidato indicado por Lula.


Semana passada, neste mesmo espaço, especulei que Lula poderia ser preso, mas o lulismo pode estar sendo ressuscitado fortemente, criando-se uma versão moderna do getulismo, de Vargas. Ainda é cedo para afirmar que essa previsão vai se confirmar. Mas já temos o primeiro sintoma. É aguardar para ver.

Bolsonaro – A mesmo pesquisa mostrou que Bolsonaro estagnou e até caiu um ponto, dentro da margem de erro, em relação à pesquisa anterior. Ele tem agora 18 por cento seguido por Marina 13, Ciro 10, Alckmin 8 e Huck 8. No segundo turno, perderia para Marina por 42 a 32 por cento. O presidenciável, que em certos momentos lembra o ex-presidente Figueiredo do "prendo e arrebento" iniciou o ano com reportagens mostrando que apesar de ser dono de apartamento em Brasília, Bolsonaro recebe auxílio moradia e que o seu patrimônio cresceu enormemente depois que entrou na política.

Mal exemplo – Enquanto discutimos o uso e abuso de algemas em presos, em Miami, Estados Unidos, um garoto de 7 anos foi retirado da sala de aula algemado depois de agredir uma professora. O caso aconteceu no último dia 25. Aqui no Brasil se quer reduzir a maioridade penal. Puxa-se ela para, 16. Depois, quem sabe, 14. O melhor seriam 7 anos, seguindo o exemplo do Grande Irmão. Se continuar assim, temos que lutar pela volta da "lei do ventre livre" para evitar que os bebês já sejam presos ao nascerem.

Temer – O presidente Temer, apesar de insistir que o Brasil saiu da crise, -mesmo com quase 12 milhões de desempregados, com a economia patinando (mas a bolsa vai bem), o rebaixamento da nota país em agências que medem o risco de calote- continua bracejando no mar de impopularidade. O Datafolha confirmou que só 6% dos brasileiros acham que ele faz um bom governo. 70 por cento dizem que é ruim ou péssimo. Enquanto o presidente ameaça com a reforma da previdência, a Polícia Federal ameaça quebrar os sigilos bancário, fiscal e telefônico de Sua Excelência. As duas notícias têm tudo para empurrar a popularidade do presidente. Para baixo.

Reforma – O ano de 2014 fechou com 36,6 milhões de brasileiros empregados com carteira assinada. 2017 encerrou com 33,3 milhões. Ou seja: menos 3 milhões e 300 mil. Tudo isso, depois da reforma trabalhista. Hoje temos no Brasil, segundo o IBGE, 34,3 milhões de pessoas trabalhando sem carteira assinada. Mais 11,8 milhões de desempregados. Anunciada como a panaceia da economia brasileira, até agora a tal reforma não deu o ar da sua graça, pelo menos do ponto de vista do trabalhador.

Dívida – Bateu em 3 trilhões, 430 bilhões de reais a dívida interna brasileira em dezembro de 2017, num crescimento de 14,43 por cento em um ano. Em contrapartida, o crescimento do PIB está previsto para algo em torno de 1%. Como se vê, a tal da recuperação econômica ainda está muito longe de acontecer.

Eleição – O site Spotniks elegeu os 31 políticos que prometem se candidatar e em quem o eleitor não deveria votar. No Rio Grande do Norte a recomendação é não votar em José Agripino e Garibaldi Alves. Agripino por ser réu na Lavajatos e porque teria contra si acusações de favorecimento a empreiteiras durante a construção do estádio Arena das Dunas, além de favorecimento em empréstimos do BNDES. Garibaldi por estar denunciado em inquérito por recebimento de propinas em contrato com a Transpetro e a empresa NM Engenharia. A lista completa pode ser vista em www.spotniks.com

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