Quase metade dos prefeitos do país que tentou a recondução ao cargo obtiveram sucesso na eleição deste ano.
ANDRÉ MONTEIRO
FELIPE BÄCHTOLD
DE SÃO PAULO
ANDRÉ MONTEIRO
FELIPE BÄCHTOLD
DE SÃO PAULO
De acordo com dados do TSE (Tribunal Superior Eleitoral) tabulados pela Folha, 2.945 prefeitos se candidataram à reeleição e 1.385 conseguiram, um índice de 47%.
O levantamento é um indicativo de que o controle da máquina municipal não é garantia de permanência dos mandatários no poder.
Também reforça as análises de que neste ano o eleitor esteve mais desencantado com a política. O índice de votos brancos e nulos bateu recorde, e candidatos que adotaram discurso de que não eram políticos tiveram êxito em grandes cidades.
É a primeira vez que a Justiça Eleitoral compila as informações de reeleição, por isso não é possível comparar o dado com anos anteriores.
Neste ano, no momento do registro para a eleição, cada candidato assinalou voluntariamente se estava ou não disputando a reeleição.
Os dados, porém, ainda não constam nas planilhas disponíveis no site do TSE –foram enviados após pedido da Folha e cruzados com os resultados das urnas.
Nas capitais, 15 dos 20 prefeitos que concorreram foram reeleitos. Os cinco derrotados caíram já no primeiro turno.
EM DIFICULDADES
O presidente da Confederação Nacional dos Municípios, Paulo Ziulkoski, diz que neste ano estar com a máquina pública derrotou "e não ajudou" quem concorreu, que precisou lidar com o desgaste de um período de receitas públicas em queda.
"O cidadão não distingue União, Estado e município: olha para quem está próximo dele", diz Ziulkoski, ex-prefeito no Rio Grande do Sul.
Ele afirma que o discurso da "mudança" foi marcante nessa eleição. "Ocorreu em cima de propostas que não vão ser cumpridas. Vai haver uma decepção de novo dentro de um ano ou dois."
O presidente da confederação argumenta que não há perspectiva de aumento de receitas e a situação deve se agravar com a proposta do teto de gastos públicos, em tramitação no Congresso.
A entidade pesquisa por conta própria a taxa de reeleição desde que ela passou a ser permitida, em 2000, e afirma que, em eleições anteriores, sempre mais de 55% dos prefeitos que concorreram acabaram se elegendo. O pico foi em 2008, com 66%.
O professor de ciência política da Universidade Federal de Pelotas (RS), Álvaro Barreto, que pesquisa reeleição, afirma que a quantidade de reeleitos sofre efeitos "sazonais" que dependem de circunstâncias como a conjuntura econômica e a insatisfação com o meio político.
"Em 2008, a taxa de reeleição foi bastante elevada. Os municípios e a economia estavam em um processo positivo", diz.
Há dois anos, governadores já enfrentavam dificuldades: dos 18 que tentaram se reeleger, 7 não conseguiram.
O professor David Fleischer, da Universidade de Brasília, também vê um reflexo da situação da economia.
"Muitos prefeitos não têm dado conta do recado com os recursos que têm, e isso tem dado muita insatisfação, principalmente em saúde e educação."