| Gabo Morales - 27.jul.2011/Folhapress | ||
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| Alexandrino Alencar, ex-diretor da empreiteira Odebrecht, delator na Operação Lava Jato |
Ex-executivo da Odebrecht mais próximo do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, Alexandrino Alencar mudou a atitude em relação ao acordo de delação que está negociando com a Lava Jato e passou a entregar informações sobre a reforma do sítio em Atibaia (SP) frequentado pelo petista e as viagens que fez com ele para países da África e América Latina.
Alencar prestou dois depoimentos aos procuradores. No primeiro, em Curitiba, sua delação foi rejeitada porque os investigadores consideraram que ele omitira fatos para preservar Lula.
Ele e seus advogados refizeram o roteiro a ser apresentado aos investigadores. Na terça-feira (18) ele voltou a falar com a força-tarefa, desta vez em Brasília.
Com a apresentação de novas versões sobre o sítio e as viagens, os procuradores já sinalizaram que vão aprovar os termos do acordo.
Alencar foi diretor de Relações Institucionais da Odebrecht e é apontado como um dos operadores de propina da empreiteira. Ele ficou quatro meses preso no ano passado, foi condenado a 15 anos de prisão e está em liberdade.
Vai integrar o grupo que deve ter entre 70 e 80 executivos da Odebrecht que estão negociando acordos com procuradores da Lava Jato em Brasília e Curitiba.
AMIGO
Alencar é considerado um personagem-chave nas investigações sobre Lula por causa da amizade que manteve com o ex-presidente.
Ele atuou na reforma do sítio em Atibaia, feita por um consórcio informal composto por Odebrecht, OAS e o pecuarista José Carlos Bumlai, amigo do ex-presidente.
A Odebrecht iniciou a reforma do sítio em outubro de 2010, quando Lula ainda ocupava a Presidência, o que pode complicar a situação do ex-presidente se a Justiça considerar que a reforma foi a retribuição a algum favor que ele fez às empresas que cuidaram da obra.
Dependendo da interpretação judicial, a reforma poderá ser considerada crime de corrupção, já que começou quando Lula ocupava um cargo público.
Na sua proposta de delação, porém, Alencar narra fatos sobre a reforma após a saída de Lula da Presidência.
O começo da obra será narrado por outro delator da Odebrecht, ainda de acordo com apuração da Folha.
A empresa bancou benfeitorias no sítio, como a construção de um anexo com quatro suítes.
O sítio de Atibaia está em nome de Jonas Suassuna e Fernando Bittar, amigos de um filho do ex-presidente, e é alvo da investigação sob suspeita de que pertença, de fato, a Lula, o que ele nega veementemente.
Alencar também acompanhou Lula pela África e América Latina, como Angola, Cuba, Panamá e Peru. No novo depoimento, ele contou sobre pagamentos e os interesses da empresa em receber o apoio do ex-presidente.
Em uma dessas viagens, para a Guiné Equatorial em 2011, o ex-diretor da Odebrecht fez parte de uma comitiva oficial de Lula, conforme a Folha revelou em 2013, antes do início da Lava Jato.
Lula deixara o governo no ano anterior, mas foi designado representante oficial pela então presidente, Dilma Rousseff.
Alencar era o mais frequente companheiro de Lula em viagens que ele fez após deixar a Presidência, sempre em jatinhos da Odebrecht.
Além de avançar em detalhes sobre as obras do sítio de Atibaia, as palestras de Lula –que custavam US$ 200 mil– e as viagens, Alencar apresentou novos fatos envolvendo ex-presidente e a Odebrecht que ocorreram após o fim do mandato do petista.
Lula tornou-se réu no último dia 13 na Justiça do Distrito Federal, sob acusação de ter ajudado a Odebrecht a conquistar obras em Angola com recursos do BNDES.
Herdeiro do grupo, Marcelo Odebrecht também é réu, acusado de ter repassado R$ 30 milhões, em valores atualizados, como retribuição para um sobrinho da primeira mulher de Lula.
A defesa do ex-presidente da República nega que ele tenha tido qualquer interferência nos repasses do BNDES a Angola.
OUTRO LADO
A defesa do ex-presidente Lula refuta que ele tenha recebido recursos ilícitos da Odebrecht e atacou delações.
Em nota, o Instituto Lula diz que "a defesa do ex-presidente já entrou com pedido de investigação na PGR [Procuradoria Geral da República] sobre mudança de versões em duas tratativas de delação –as de Alexandrino Alencar e Léo Pinheiro [da OAS]– pelo risco de coação pelos investigadores para obterem versões contrárias ao ex-presidente, e pela perda do princípio da voluntariedade, o que tornaria tais delações nulas". Ainda segundo a nota, "se delações não são provas, apenas meio de investigação, mais irrelevantes ainda são supostas delações".
O ex-presidente nega que seja dono do sítio em Atibaia e defende a licitude das palestras. "Todas as palestras do ex-presidente para mais de 40 empresas de diferentes setores e países foram realizadas, com nota e recolhimento de impostos. O ex-presidente sempre agiu dentro da lei antes, durante e depois de exercer dois mandatos eleitos como presidente".
Para o instituto, "Lula é vítima de 'lawfare' (guerra jurídica), uma perseguição política usando meio judiciais, que tenta manipular recursos jurídicos para espalhar suspeitas difusas sem base real para destruir a imagem de um líder político e inabilitá-lo a disputar eleições".
O advogado José Roberto Batochio, que atua na defesa de Lula, diz que ele sempre teve uma relação lícita com empresários e ataca delações: "As pessoas acusam inocentes para se livrar da cadeia".
Procurada, a Odebrecht não quis se manifestar.
Alencar prestou dois depoimentos aos procuradores. No primeiro, em Curitiba, sua delação foi rejeitada porque os investigadores consideraram que ele omitira fatos para preservar Lula.
Ele e seus advogados refizeram o roteiro a ser apresentado aos investigadores. Na terça-feira (18) ele voltou a falar com a força-tarefa, desta vez em Brasília.
Com a apresentação de novas versões sobre o sítio e as viagens, os procuradores já sinalizaram que vão aprovar os termos do acordo.
Alencar foi diretor de Relações Institucionais da Odebrecht e é apontado como um dos operadores de propina da empreiteira. Ele ficou quatro meses preso no ano passado, foi condenado a 15 anos de prisão e está em liberdade.
Vai integrar o grupo que deve ter entre 70 e 80 executivos da Odebrecht que estão negociando acordos com procuradores da Lava Jato em Brasília e Curitiba.
AMIGO
Alencar é considerado um personagem-chave nas investigações sobre Lula por causa da amizade que manteve com o ex-presidente.
Ele atuou na reforma do sítio em Atibaia, feita por um consórcio informal composto por Odebrecht, OAS e o pecuarista José Carlos Bumlai, amigo do ex-presidente.
A Odebrecht iniciou a reforma do sítio em outubro de 2010, quando Lula ainda ocupava a Presidência, o que pode complicar a situação do ex-presidente se a Justiça considerar que a reforma foi a retribuição a algum favor que ele fez às empresas que cuidaram da obra.
Dependendo da interpretação judicial, a reforma poderá ser considerada crime de corrupção, já que começou quando Lula ocupava um cargo público.
Na sua proposta de delação, porém, Alencar narra fatos sobre a reforma após a saída de Lula da Presidência.
O começo da obra será narrado por outro delator da Odebrecht, ainda de acordo com apuração da Folha.
A empresa bancou benfeitorias no sítio, como a construção de um anexo com quatro suítes.
O sítio de Atibaia está em nome de Jonas Suassuna e Fernando Bittar, amigos de um filho do ex-presidente, e é alvo da investigação sob suspeita de que pertença, de fato, a Lula, o que ele nega veementemente.
Alencar também acompanhou Lula pela África e América Latina, como Angola, Cuba, Panamá e Peru. No novo depoimento, ele contou sobre pagamentos e os interesses da empresa em receber o apoio do ex-presidente.
Em uma dessas viagens, para a Guiné Equatorial em 2011, o ex-diretor da Odebrecht fez parte de uma comitiva oficial de Lula, conforme a Folha revelou em 2013, antes do início da Lava Jato.
Lula deixara o governo no ano anterior, mas foi designado representante oficial pela então presidente, Dilma Rousseff.
Alencar era o mais frequente companheiro de Lula em viagens que ele fez após deixar a Presidência, sempre em jatinhos da Odebrecht.
Além de avançar em detalhes sobre as obras do sítio de Atibaia, as palestras de Lula –que custavam US$ 200 mil– e as viagens, Alencar apresentou novos fatos envolvendo ex-presidente e a Odebrecht que ocorreram após o fim do mandato do petista.
Lula tornou-se réu no último dia 13 na Justiça do Distrito Federal, sob acusação de ter ajudado a Odebrecht a conquistar obras em Angola com recursos do BNDES.
Herdeiro do grupo, Marcelo Odebrecht também é réu, acusado de ter repassado R$ 30 milhões, em valores atualizados, como retribuição para um sobrinho da primeira mulher de Lula.
A defesa do ex-presidente da República nega que ele tenha tido qualquer interferência nos repasses do BNDES a Angola.
OUTRO LADO
A defesa do ex-presidente Lula refuta que ele tenha recebido recursos ilícitos da Odebrecht e atacou delações.
Em nota, o Instituto Lula diz que "a defesa do ex-presidente já entrou com pedido de investigação na PGR [Procuradoria Geral da República] sobre mudança de versões em duas tratativas de delação –as de Alexandrino Alencar e Léo Pinheiro [da OAS]– pelo risco de coação pelos investigadores para obterem versões contrárias ao ex-presidente, e pela perda do princípio da voluntariedade, o que tornaria tais delações nulas". Ainda segundo a nota, "se delações não são provas, apenas meio de investigação, mais irrelevantes ainda são supostas delações".
O ex-presidente nega que seja dono do sítio em Atibaia e defende a licitude das palestras. "Todas as palestras do ex-presidente para mais de 40 empresas de diferentes setores e países foram realizadas, com nota e recolhimento de impostos. O ex-presidente sempre agiu dentro da lei antes, durante e depois de exercer dois mandatos eleitos como presidente".
Para o instituto, "Lula é vítima de 'lawfare' (guerra jurídica), uma perseguição política usando meio judiciais, que tenta manipular recursos jurídicos para espalhar suspeitas difusas sem base real para destruir a imagem de um líder político e inabilitá-lo a disputar eleições".
O advogado José Roberto Batochio, que atua na defesa de Lula, diz que ele sempre teve uma relação lícita com empresários e ataca delações: "As pessoas acusam inocentes para se livrar da cadeia".
Procurada, a Odebrecht não quis se manifestar.
