Jorge Vieira

Restaurantes Populares e Cozinhas Comunitárias são as armas do Maranhão para combater insegurança alimentar
Os maranhenses, quase sempre lembrados pelos números baixos e irrisórios em dados de serviços e atos pró-desenvolvimento, podem dizer que vivem em um estado onde, hoje, há a preocupação com o bem-estar do cidadão comum, seja ele pobre ou não. Mas principalmente o pobre, aquele que quase nunca tem o que comer ou como juntar recursos para melhorar de vida.
Essas carências estão sendo deixadas no passado através de boas ações afirmativas e realizações de programas e projetos que valorizam a vida do cidadão local. Uma das preocupações do governo Flávio Dino é a segurança alimentar, que ele garante com a implantação de medidas eficazes e que geram oportunidades de renda e emprego.
O Maranhão vai na contramão de muitos estados brasileiros. Matéria do Estadão revelou hoje que o Estado do Rio de Janeiro deve R$ 120 milhões a restaurantes populares. A crise financeira instalada por lá ameaça o funcionamento do programa Restaurante Cidadão, que trabalha com 15 unidades. O número já é inferior ao quantitativo de Restaurantes Populares existentes no Maranhão. Só na capital, são quase 10 unidades. Tem mais as do interior do estado e umas dezenas de cozinhas comunitárias espalhadas por todo território maranhense.
No RJ, as fornecedoras ameaçaram encerrar, mas vão esperar por dez dias mais, prazo que o secretário de Estado de Assistência Social e Direitos Humanos, Paulo Melo, pediu para buscar uma solução para o atraso nos pagamentos. Pelas contas das empresas, os repasses estão atrasados há 14 meses. A empresa Home Bread, que fornece 7,8 mil refeições, teve que cortar sopa, sobremesa e o pão que acompanhavam a refeição. Tudo por conta da crise.
Enquanto por lá o bife sumiu do bandejão – dando lugar a opções mais baratas, como moela, carne moída e almôndegas – aqui, o Governo do Maranhão está investindo cerca de R$ 22 milhões na construção de 30 cozinhas comunitárias nas cidades atendidas pelo Plano ‘Mais IDH’. Cada cozinha terá capacidade para fornecer, gratuitamente, 500 refeições por dia, feitas a partir de ingredientes produzidos por pequenos agricultores.
A medida visa reduzir o índice de insegurança alimentar no estado e estimular a agricultura familiar e o comércio regional. Segundo a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD) 2013, o Maranhão é o estado com o pior índice de insegurança alimentar do Brasil. A Secretaria de Estado de Desenvolvimento Social (Sedes), na pessoa do secretário Neto Evangelista e demais membros, levantou as necessidades das cidades maranhenses com pior Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) para implantação de cozinhas comunitárias nesses locais.
A partir das novas cozinhas, um conjunto de ações voltadas para população carente em situação de insegurança alimentar vão ser desenvolvidas. As ações terão como objetivo garantir alimentação saudável, promover educação alimentar e nutricional associada à prática de atividades físicas, capacitar o público na área de gastronomia e fortalecer a produção e comercialização da agricultura familiar local.
Aos olhos do Brasil, vivemos em um estado pobre, que nunca teve capacidade de desenvolvimento. Mas a história mostra, mais uma vez, como os prognósticos alheios estavam errados. Enquanto os “ricos” estados brasileiros passam por um perrengue nas balanças financeiras, a ponto de fechar as portas de restaurantes populares, o “pobre” Maranhão dar comida e oportunidade para quem quer viver melhor e com qualidade. E sem crise.