| André Nery - 18.fev.16/JC Imagem/Folhapress | ||
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| João Campos, filho de Eduardo, discursa em posse como chefe de gabinete do governo de PE |
Há cinco meses, assumiu o cargo na gestão do governador Paulo Câmara (PSB) e lida diariamente com demandas de prefeitos e políticos do Estado, numa sala próxima à do governador. Entre 1987 e 1990, Eduardo ocupou o mesmo cargo no Estado, na gestão do avô Miguel Arraes.
Em eventos e no gabinete, é alvo de selfies de pernambucanos saudosos do ex-governador e de jovens, que até montaram fã-clube.
Apesar da ambição de preencher o vácuo político deixado pelo pai, João ainda é conhecido por seu perfil tímido, que se desfaz ao assume o microfone nos atos. Ele copia os trejeitos do pai nos gestos e discursos.
"Enquanto os jovens do rico, do pobre, do trabalhador, do empresário, enquanto eles não estudarem na mesma escola, nós não teremos o Brasil que queremos", disse João em maio, em inauguração de uma escola técnica em São Lourenço da Mata.
A frase foi usada pelo ex-governador em entrevista ao "Jornal Nacional", em 2014, quando concorria à Presidência da República.
MÃE
A viúva do ex-governador e mãe de João, Renata Campos, exerce sobre o filho o mesmo papel de conselheira que teve com o marido.
Os comentários de bastidores são de que ela pediu ao filho para concluir o ensino superior e depois pensar em disputa política. João se forma neste ano em engenharia civil pela UFPE (Universidade Federal de Pernambuco).
No Palácio do Campo das Princesas, sede do governo estadual, é difícil encontrar quem se disponha a conversar sobre a atuação dele na chefia de gabinete. Só elogios é que são fáceis de extrair. "Dedicação", "foco" e "disciplina" são alguns deles.
"Ele tem tudo para ser um político melhor do que Eduardo foi. Eduardo era muito acelerado e impulsivo e quem o regulava era Renata. João é mais calmo, ponderado, disciplinado, características da mãe", contou uma pessoa próxima à família.
TIETES
Nos discursos de João ouve-se gritos estridentes do público feminino. Mas, além das admiradoras dos olhos azuis, parecidos com os do pai, há quem se aproxima para externar solidariedade com a morte trágica do governador.
Os seguidores nas redes sociais são assíduos. Há até perfis e fã-clubes em redes sociais criados para disseminar imagens da família.
João namora há quatro anos com uma colega de curso, Lara Santana, 23, filha de um prefeito e de uma deputada estadual.
Eles começaram a namorar na faculdade –assim como ocorreu com Eduardo e Renata, quando cursavam economia na UFPE.
Reservado, o casal costuma ir a eventos em família ou festas de políticos, e está presente nas colunas sociais e festas badaladas do Recife.
'POLÍTICO DE PROVETA'
Há críticas ao fato de João Campos ser o chefe de gabinete. O episódio de sua nomeação gerou revolta, principalmente nas redes sociais. Na ocasião, foi criada a hastag #meuprimeiroemprego em resposta irônica à indicação do jovem.
O cientista político Michel Zaidan, da UFPE, define João como "político de proveta". Na política local, segundo ele, há "uma visão patrimonialista" –e o jovem usufrui do capital social da família.
"O que ocorre com essas carreiras prematuras não é outra coisa a não ser um favorecimento que esses filhos, primos, parentes e contraparentes têm dos chefes políticos, de acesso ao poder."
Para Zaidan, uma das poucas vozes críticas do Estado, o grupo político deve sofrer um baque com o andamento da Operação Turbulência,que investiga um esquema de R$ 600 milhões que pode ter irrigado as campanhas do PSB em 2010 e 2014.
O cientista político avalia que João ainda está muito distante de Eduardo e que só poderá mostrar a capacidade política quando sair da "tutela" e da proteção da família. "Ele ainda é uma criatura sob a saia da mãe".
Em eventos e no gabinete, é alvo de selfies de pernambucanos saudosos do ex-governador e de jovens, que até montaram fã-clube.
Apesar da ambição de preencher o vácuo político deixado pelo pai, João ainda é conhecido por seu perfil tímido, que se desfaz ao assume o microfone nos atos. Ele copia os trejeitos do pai nos gestos e discursos.
"Enquanto os jovens do rico, do pobre, do trabalhador, do empresário, enquanto eles não estudarem na mesma escola, nós não teremos o Brasil que queremos", disse João em maio, em inauguração de uma escola técnica em São Lourenço da Mata.
A frase foi usada pelo ex-governador em entrevista ao "Jornal Nacional", em 2014, quando concorria à Presidência da República.
MÃE
A viúva do ex-governador e mãe de João, Renata Campos, exerce sobre o filho o mesmo papel de conselheira que teve com o marido.
Os comentários de bastidores são de que ela pediu ao filho para concluir o ensino superior e depois pensar em disputa política. João se forma neste ano em engenharia civil pela UFPE (Universidade Federal de Pernambuco).
No Palácio do Campo das Princesas, sede do governo estadual, é difícil encontrar quem se disponha a conversar sobre a atuação dele na chefia de gabinete. Só elogios é que são fáceis de extrair. "Dedicação", "foco" e "disciplina" são alguns deles.
"Ele tem tudo para ser um político melhor do que Eduardo foi. Eduardo era muito acelerado e impulsivo e quem o regulava era Renata. João é mais calmo, ponderado, disciplinado, características da mãe", contou uma pessoa próxima à família.
TIETES
Nos discursos de João ouve-se gritos estridentes do público feminino. Mas, além das admiradoras dos olhos azuis, parecidos com os do pai, há quem se aproxima para externar solidariedade com a morte trágica do governador.
Os seguidores nas redes sociais são assíduos. Há até perfis e fã-clubes em redes sociais criados para disseminar imagens da família.
João namora há quatro anos com uma colega de curso, Lara Santana, 23, filha de um prefeito e de uma deputada estadual.
Eles começaram a namorar na faculdade –assim como ocorreu com Eduardo e Renata, quando cursavam economia na UFPE.
Reservado, o casal costuma ir a eventos em família ou festas de políticos, e está presente nas colunas sociais e festas badaladas do Recife.
'POLÍTICO DE PROVETA'
Há críticas ao fato de João Campos ser o chefe de gabinete. O episódio de sua nomeação gerou revolta, principalmente nas redes sociais. Na ocasião, foi criada a hastag #meuprimeiroemprego em resposta irônica à indicação do jovem.
O cientista político Michel Zaidan, da UFPE, define João como "político de proveta". Na política local, segundo ele, há "uma visão patrimonialista" –e o jovem usufrui do capital social da família.
"O que ocorre com essas carreiras prematuras não é outra coisa a não ser um favorecimento que esses filhos, primos, parentes e contraparentes têm dos chefes políticos, de acesso ao poder."
Para Zaidan, uma das poucas vozes críticas do Estado, o grupo político deve sofrer um baque com o andamento da Operação Turbulência,que investiga um esquema de R$ 600 milhões que pode ter irrigado as campanhas do PSB em 2010 e 2014.
O cientista político avalia que João ainda está muito distante de Eduardo e que só poderá mostrar a capacidade política quando sair da "tutela" e da proteção da família. "Ele ainda é uma criatura sob a saia da mãe".
