Polícia Federal prende ex-tesoureiro do PP na 29ª fase da operação Lava Jato

João Claudio Genu movimentou, sem justificativa, R$ 7 milhões entre 2005 e 2013



A Polícia Federal prendeu nesta segunda-feira (23) o ex-tesoureiro do PP João Cláudio Genu, que movimentou R$ 7 milhões entre 2005 e 2013, sem justificativa. Há fortes indícios, segundo a PF, de que o dinheiro tenha saído do esquema de corrupção na Petrobras para ser distribuído entre políticos do PP. Segundo a investigação, R$ 5 milhões foram partilhados no partido e R$ 2 milhões ficou para Genu.
Genu foi assessor do ex-deputado federal José Janene (PP-PR) e tesoureiro informal do PP. Genu foi, juntamente com Janene, denunciado na Ação Penal 470, do Supremo Tribunal Federal – conhecida como Mensalão – acusado de sacar cerca de R$ 1,1 milhão em espécie das contas da empresa SMP&B Comunicação, controlada por Marcos Valério Fernandes de Souza, para repassar a parlamentares federais do Partido Progressista.
À época do Mensalão, Genu foi condenado pelo STF por corrupção e lavagem de dinheiro, mas houve prescrição quanto ao crime de corrupção e, quanto ao crime de lavagem de dinheiro, ele foi posteriormente absolvido no julgamento de vários embargos infringentes.
A Polícia Federal cumpre, na fase atual da Lava Jato, seis mandados de busca e apreensão, um mandado de prisão preventiva (João Cláudio Genu) e dois mandados de prisão temporária (Lucas Amorim Alvez, sócio de Genu, e Humberto do Amaral Carrilho, empresário) nas cidades de Brasília, Rio de Janeiro e Recife. Os mandados foram expedidos pela 13ª Vara Federal de Curitiba em investigação de crimes de formação de quadrilha, lavagem de dinheiro e corrupção passiva e ativa envolvendo verbas desviadas da Petrobras.
“Peso estratégico”
Segundo o procurador da República Diogo Castor, Genu “tem um peso estratégico muito importante para investigação porque era um dos principais cabeças do esquema de vantagens indevidas ao PP”. Ele tinha percentual fixo e habitual de valores, a exemplo do ex-diretor da Petrobras Paulo Roberto Costa e do doleiro Youssef.
“Temos convicção de que a detenção dele é imprescindível para o bom avanço das investigações, para que pare de cometer esses crimes, e para localizar os ativos desviados. Genu foi mencionado por Youssef, Fernando Soares e Carlos Rocha por vantagens indevidas da diretoria de abastecimento. Esse recebimento dele era sempre em espécie, o que fez a investigação levar um pouco mais de tempo.
Foram várias aquisições de bens e em espécie, como apartamentos, joias e depósitos em empresas, além das entradas dele no escritório de Youssef. Além disso, as comunicações dele por meio de WhatsApp e o Skype envolvem servidores públicos”, acrescentou.
Os investigadores disseram que, do total de propina recebida, 5% ficavam para Genu e outros 5% para Youssef. Parlamentares do PP, ligados ao esquema, dividiam 30% da propina. Isso resultava, segundo o delegado Luciano Gomes de Lima, em valores que variavam entre R$ 30 mil e R$ 300 mil para cada um dos parlamentares.
Outro investigado que teve mandado de prisão temporário expedido é o sócio de Genu, Lucas Amorim, que já preso em Brasília. Segundo a PF, ele era receptor das propinas que abasteciam o esquema do PP. Há também mandado de prisão temporária contra o empresário Humberto do Amaral Carrilho, dono de uma empresa distribuidora de combustíveis. Ele não foi preso por estar no exterior. 
"Carrilho já é considerado foragido. Fizemos busca em sua residência declarada e já temos informações sobre o país onde ele se encontra. Agora estamos aguardando o contato de seu advogado antes de acionar a Interpol [polícia internacional]", disse o delegado Luciano Gomes de Lima.
A 29ª fase da Lava Jato foi batizada de Repescagem porque o principal investigado foi condenado na ação do mensalão. Os presos e o material apreendido serão levados ainda hoje para a sede da Polícia Federal em Curitiba.
Com Agência Brasil

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