Novo governo muda correlação de forças políticas no Maranhão

Novos atores, como o ministro Sarney Filho e o senador Edinho Lobão passam a fazer a interlocução nacional, tentando reconstruir pontes quebradas pelo governador Flávio Dino.

MARCO AURÉLIO D''EÇA - EDITOR DE POLÍTICA
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Sarney Filho terá interlocução como ministro (Foto: Ag. Câmara)
“Eu tive uma reunião com o presidente Michel Temer, e uma das coisas que ele garantiu foi os programas sociais. Ele me garantiu que esses avanços sociais não vão retroagir”,Flávio Dino, governador do Maranhão
A mudança de presidente no Brasil alterou, automaticamente, a correlação de forças políticas no Maranhão. Com a ascensão do peemedebista Michel Temer ao comando da Nação, novos atores maranhenses também ascenderam à condição de interlocutores do estado, fazendo o contraponto direto ao governador Flávio Dino (PCdoB), que decidiu-se pela oposição ao governo Temer.
E as mudanças terão influencia direta nas eleições de 2018, quando Dino disputará a reeleição e se abrirão duas vagas no Senado. Na função de ministro do Meio Ambiente, o deputado federal Sarney Filho (PV) ganha cacife no mesmo patamar de Flávio Dino em Brasília – ou até maior, dependendo das circunstâncias. O ex-candidato a governador Edinho Lobão (PMDB), por sua vez, ganha importante tribuna no Senado Federal, para o contraponto às ações do governador comunista. A dobradinha Sarney Filho/ Edinho Lobão, inclusive, já é cogitada, inclusive, para o embate eleitoral de 2018.
O Estado encaminhou ao secretário de Comunicação Social e Articulação Política do governo Flávio Dino, jornalista Márcio Jerry, às 11h45 da sexta-feira, 13, uma série perguntas a respeito do posicionamento de Flávio Dino a partir de agora: “O governador se manterá na oposição a Temer? Buscará o diálogo? De que forma?”. Foram algumas das questões. O aplicativo de mensagens aponta que Jerry recebeu e leu as perguntas. Mas não havia respondido até o fechamento desta edição.
No Senado, Lobão Filho terá tribuna para o contraponto (Foto: Ag. Senado)
“A única forma que se tem para balancear a posição irresponsável do governador, excessiva, que poderia trazer consequências ruins para o Maranhão na relação governo do estado/União na gestão de Temer é a união das lideranças do nosso estadoLobão Filho, senador
Pontes
Os próprios aliados de Flávio Dino, como o ex-governador e atual deputado José Reinaldo Tavares (PSB) – reconhecem que o comunista extrapolou em sua “postura guerrilheira”, o que pode gerar fechamento de portas ao Maranhão em Brasília.
Mas os novos atores também já começam a tratar de reconstruir as pontes quebradas por Flávio Dino. Sarney Filho deixou claro, em sua primeira entrevista como ministro, que vai tratar diretamente com Temer sobre a questão Maranhão. E disse que uma das condições para assumir o ministério foi a garantia de que o presidente manterá os programas sociais, que têm forte penetração no estado.
Mas a relação da bancada com Michel Temer não significará leniência ou salvo-conduto automático ao governador Flávio Dino. Pelo contrário, todos os personagens com algum tipo de relação com Michel Temer, vão querer deixar claro que está sendo a partir dele a resolução de demandas e pleitos do Maranhão.
Flávio Dino ainda é uma incógnita em relação ao governo Temer (Foto: Arquivo)
"Não imagino que um governo interino e frágil vá se dedicar a fazer perseguições. Seria estapafúrdio. Não é muito da feição, inclusive, do próprio Michel Temer. Tenho muita tranquilidade. Nosso governo é legítimo, tem apoio popular, cumpre a lei e suas obrigações. Nem que quisessem, não teriam como atrapalhar."Flávio Dino, governador
Na sexta-feira, por exemplo, o coordenador da bancada federal, Andre Fufuca (PP), e o deputado federal Hildo Rocha (PMDB), já estiveram com o presidente peemedebista. Rocha cobrou abertamente a continuidade da duplicação da BR-135, paralisada desde o início de 2015, e o reforço à continuidade das obras do programa Italuís, concluída em quase 90% no governo Roseana Sarney (PMDB) e paralisada no governo Flávio Dino.
Sem interlocução com Temer, caberia a Flávio Dino buscar relação por intermédio da bancada maranhense. Mas seus aliados na Câmara também são todos distantes de Michel Temer, como o comunista Rubens Pereira Júnior e o pedetista Weverton Rocha. Fica claro, portanto, o isolamento cada vez maior do governador em relação ao Palácio do Planalto.
Maranhão será obstáculo para Temer na Câmara
Deputado maranhense que ora ocupa a presidência da Casa já declarou que não pretende abrir mão do cargo, o que obriga o presidente a tratar diretamente com ele sobre reformas
Mesmo sem presidir nenhuma as sessões desde que assumiu o comando da Casa; mesmo não contando com o apoio de nenhum dos líderes partidários; e mesmos em ter o apoio do próprio partido, o deputado maranhense Waldir Maranhão (PP) já declarou não haver hipótese de ele renunciar ao cargo de presidente da Câmara Federal.
Waldr Maranhão resiste a deixa a presidência da Câmara (Foto: Ag. Câmara)
“Não tem renúncia. Sem renúncia”Waldir Maranhão, presidente interino da Câmara Federal
A posição do parlamentar o coloca na condição de interlocutor privilegiado do presidente Michel Temer, goste disso ou não o peemedebista.
“Não tem renúncia. Sem renúncia”, disse Maranhão a jornalistas, ao passar pelo Salão Verde da Câmara, ainda na quinta-feira.
Waldir Maranhão assumiu o posto na Câmara após afastamento do presidente eleito em 2015, Eduardo Cunha (PMDB-RJ). E pode ser o próprio Cunha quem tem dado o apoio necessário para que o maranhense se mantenha encastelado no poder.
“Partidos como o PSDB, DEM e PPS tinham dado um ultimato para Maranhão ter renunciado ao cargo nesta quinta-feira. Mas aliados de Cunha passaram a dar um apoio discreto pelo prolongamento de Maranhão na presidência interina”, revelou o jornalista Gerson Camarotti, na última sexta-feira, 13 .
Diante da postura de Waldir Maranhão, resta a Temer buscar o diálogo com o presidente da Câmara. E já mandou emissários par conversar. Até por que sabe que, por trás do parlamentar, estão também o ex-advogado-geral da União, José Eduardo Cardozo, e o governador Flávio Dino. Dispostos a tudo para inviabilizar o novo governo.

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