Ao determinar o afastamento de Eduardo Cunha (PMDB-RJ) do mandato parlamentar e, por consequência, da presidência da Câmara dos Deputados, o Supremo Tribunal Federal proferiu uma decisão inédita, visto que o caminho natural para barrar os congressistas é a cassação, feita pelo Congresso Nacional. Menos de vinte dias após o julgamento, no entanto, uma nova situação deve inovar a rotina da Câmara: mesmo suspenso, Cunha pretende voltar a frequentar seu gabinete. O peemedebista não comparecia à Câmara desde o dia 5 de maio. Usando o broche exclusivo de parlamentares, ele prestou depoimento nesta quinta-feira ao Conselho de Ética, onde responde a processo por quebra de decoro por seu envolvimento no escândalo de corrupção da Petrobras. Ao fim da sessão, Cunha foi perguntado por jornalistas se sentia saudades da Casa. "Eu vou frequentar a Câmara. Eu estou suspenso do exercício do mandato e não de frequentar. Vou frequentar meu gabinete pessoal. Segunda vocês me encontram lá", respondeu. Afastado das funções, Eduardo Cunha manteve seus principais benefícios, como salário, residência oficial e gabinete exclusivo. Ele, porém, não poderá mais usar a estrutura da presidência na Câmara, atualmente ocupada pelo vice Waldir Maranhão (PP-MA), e tampouco participar de comissões, votar ou exercer qualquer função legislativa. (Marcela Mattos, de Veja Brasília)
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