O jurista Dalmo Dallari criticou a velocidade com que tramita o processo de impeachment da presidente Dilma Rousseff. Para ele, isso indica as intenções políticas por trás da saída da presidente. "É uma demonstração evidente de que as razões políticas superaram as jurídicas", declarou o professor emérito da Faculdade de Direito da Universidade de São Paulo. Ele destacou ainda que, por outro lado, processos contra parlamentares, como o do presidente da Câmara Eduardo Cunha, "não são tratados com a mesma celeridade."
O processo contra Eduardo Cunha corre no Conselho de Ética da Câmara desde outubro de 2015 - ou seja, seis meses - quando PSOL e Rede apresentaram a representação contra o peemedebista. No Supremo Tribunal Federal, Cunha foi citado pela primeira vez no âmbito da Operação Lava Jato em janeiro de 2015, mas apenas março de 2016, ele virou réu no processo. Mesmo assim, continua presidindo a Câmara.
A diferença de velocidade fica ainda mais evidente quando se compara a representatividade de Cunha e Dilma nas urnas. Enquanto a presidente teve 54 milhões de eleitores em outubro de 2014, o parlamentar do Rio de Janeiro foi reeleito com 232.708 votos.
Dalmo Dallari criticou celeridade diferenciada do impeachment
Dallari destaca que há um tratamento diferenciado, nos tribunais e no Congresso Nacional, com relação aos processos que apuram denúncias à chefe do Executivo: "Quando há intenção de atingir a Dilma, os processos passam na frente de uma porção".
Ele também fez críticas ao STF: "Quando convém que a tramitação seja lenta, eles alegam que o tribunal está sobrecarregado", criticou em entrevista ao Jornal do Brasil.
Dallari também mencionou as denúncias a outros políticos e partidos que tramitam a passos lentos. "Onde foi parar o mensalão tucano? E os processos de responsabilidade contra o Gilmar Mendes?, questionou o jurista.
Sobre o processo do impedimento, o jurista acredita que não há justificativas para fundamentar o impeachment: "A Dilma não incorreu em crime nenhum. Não há respeito à Constituição Federal".
Sobre a votação na Câmara dos Deputados, prevista para o próximo domingo (17), ele acredita que não é possível fazer um prognóstico, já que os deputados "jogam segundo os seus interesses". "O que se pode afirmar é que não vão prevalecer os interesses do país", declarou Dallari.