Impeachment depende da decisão de 40 ainda indecisos deputados
porAbel Carvalho•
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Parlamentares pertencem a PSD, PR, PP e PRB e passaram a ser os principais alvos dos coordenadores políticos da presidente Dilma Roussef, para evitar o afastamento MARCO AURÉLIO D''EÇA O Estado ma
Presidnete Dilma posa para selfie com representantes do Movimento Negro e Comunidades quilombolas (Foto: Ag. Fotos Públicas)
Algo em torno de 40 deputados federais, do PR, PP, PSD e PRB, têm o poder, hoje, de definir o impeachment da presidente Dilma Rousseff (PT). São estes parlamentares, hoje, o alvo do governo para impedir que o processo passe na Câmara dos Deputados. Por isso, Dilma tem pressa em abrir espaços para estes partidos na legenda, principalmente no lugar dos indicados pelo PMDB, que deixou a base no início da semana.
Os articuladores do governo Dilma já sabem que não terão poder para barrar o impeachment na comissão especial. Espera reunir, apenas, 25 de um total de 65 votos. O jogo de Dilma agora é no plenário, onde precisa evitar que os votos favoráveis ao seu afastamento atinjam a marca de 342 votos, ou 2/3 dos 513 deputados.
O clima no Palácio do Planalto,na sexta-feira, 1º, era muito melhor que o do início da semana, quando o PMDB decidiu romper com Dilma. A comemoração do Planalto se dá pelo fato de que o desembarque não foi completo, mantendo as principais lideranças peemedebistas ao lado da presidente.
“O clima está mudando a favor da gente na Câmara e no Senado. Na Câmara hoje não tem voto para aprovar o impeachment. O Lula entrou em campo, conversou com os partidos, vai ter uma mudança ministerial, mudando a base parlamentar. Acho que foi importante a gente não ficar refém do PMDB. O Temer acabou dando um tiro no pé”, disse o senador Lindbergh Farias (PT-RJ), após discursar em ato contra o impeachment.
A estratégia do Planalto é mesmo minar a dupla Michel Temer e Eduardo Cunha, usando os próprios peemedebistas. Temer é o vice-presidente e Cunha o presidente da Casa, e passariam a ser os principais beneficiários da queda de Dilma.
"Acho que, sem uma proposta, o Temer seria um desastre igual ao que está sendo Dilma. O Temer deveria estar pensando no Brasil e ele está capturado por aquele pessoal da extrema direita. Ideologicamente, ele está capturado, está bancando esse projeto louco. Ele é vice-presidente da República e está pensando no poder. Ele acredita que aquele seja um projeto nacional, mas não é, é um desastre nacional", disparou o senador peemedebista Roberto Requião (PR), há mais de 30 anos filiado ao partido.
Lideres do PMDB como o presidente do Congresso, senador Renan Calheiros (AL), o senador Jáder Barbalho (PA), e o ex-presidente da República José Sarney (MA), estiveram ontem reunidos com Dilma e com o ex-presidente Lula.
A eles também foi comunicado que o governo vai mesmo usar os cargos do partido para recompor a base na Câmara e impedir o impeachment. A decisão de Dilma teve o aval de todos, com o mesmo objetivo de isolar da dupla Temer/Cunha.
Afastamento deve ser votado até o dia 16
Eduardo Cunha (PMDB-RJ), presidente da Câmara, acertou com líderes de partidos o calendário das votações do impeachment. Ele será votado pela Comissão Especial no próximo dia 11, uma segunda-feira. E pelo plenário a partir da sexta-feira dia 15. No plenário, a votação deverá se estender por três dias. Cada deputado terá um minuto para justificar seu voto.
Foi o governador Rodrigo Rollemberg (PSB), do Distrito Federal, que pediu a Cunha para só votar o impeachment no final da semana. Razões de segurança. A Polícia Militar do Distrito Federal estima que entre 200 mil a 300 mil pessoas mobilizadas pela oposição e pelo governo acamparão diante do prédio do Congresso à espera do resultado da votação.