Cidades! Como elas inspiram! Grandes, simpáticas, estressadas... Mas também podem ser matutas, sacanas e indiferentes, iguaizinhas às pessoas. No fim são gente fina, ou grossa, donas de si mesmas, cada uma com suas belezas e mazelas! A minha, por exemplo, é uma espécie de “moleca boba e saliente”, ou como já dizia Osmar Noleto na saudosa Jainara: “Ô, cidade de muro baixo!” E os artistas parecem fascinados por esses detalhes gloriosamente bestas. Fernando Pessoa já se sentia atraído pela velha Lisboa assim como Camões pelo mar, Jorge Amado pela Bahia e Gonçalves Dias pelo Brasil. E eu cá, cismo, me encanto e me aborreço com as nuances dessa garota alegre e “aborrescente”, que cresce sem sombra de bacabeiras.
É engraçado que, apesar dos pesares, terminamos amando nossa cidade. Por ela fazemos o verso e a prosa, votamos em quem não merece e nutrimos a cada quatro anos a esperança de dias melhores. E vendo outras menores até achamos que os 100 mil habitantes e a violência fazem dela uma cidade grande. Mas não o é. Nossa “Bacabália” tem muito a desenvolver-se.
E se teimares, leitor, provo-te que ela é apenas uma moça a mostrar-se assanhada. Viste no IBGE? Bacabal é apenas o 9º município mais populoso do Estado, atrás de Paço do Lumiar e Açailândia. Na economia ocupa a 4ª posição. Cidade grande não é qualquer lugar que tenha esquinas, bares e prefeito. Há requisitos categóricos para uma cidade ser dita grande. No trânsito, por exemplo, a cidade será grande se houver semáforos para veículos e pedestres. Se nesse trânsito cruzarem automóveis, carros-baú, motociclistas de jaqueta, furgões de firmas, entregadores de pizza e gás. Se esses mesmos carros tiverem vidro fumê e os motoras não derem a mínima para o menino de rua e para um idoso acidentado. Numa cidade grande dois rapazes sarados e inteligentes passam pelas moças indiferentes e seguem falando de faculdade e ipod. Nas paradas de ônibus, um monte de gente espera sua lotação, e nas caladas da noite plantões de farmácia e do jornal do dia, barzinhos, boemia, motel de luxo e ronda noturna.
Mas só o trânsito não define uma cidade. Na terra de João Mohana, estacionar no centro só na sorte ou pagando um privativo, nem por isso me atrevo chamá-la grande. Grande é São Luís, São Paulo e Nova Iorque, mas não a do Maranhão, com seus 4.600 habitantes.
É certo que no “velho Baca” do Zé do Forró já muitas coisas se confundem com os grandes centros: drogados, moradores de rua (como os dez por mim contados na Praça da Rodoviária). Nos canais de comunicação, a cada dia um caso novo regado a sangue, roubo, arrombamento e menores infratores. Aqui também se queimam mendigos vivos e se mata com requintes de crueldade. Há lentidão na Justiça, no SAMU e menores arrocham na direção, apesar das blitze. Também há propaganda enganosa, pactos políticos milionários e prédios públicos à base do aluguel. Há condomínios, quitinete, comércio-cadeia do próprio dono e vizinhos que não se conhecem. Há góticos nos cemitérios e mansos urubus nos lixões de estradas, numa decisiva marca que a cidade está crescendo e que algo cheira mal.
Vejo então que minha cidade não é tão pequena, todavia precisa crescer. E uma cidade grande requer muito mais. Nela há de ter portais de boas vindas e outdoors luminosos divulgando o comércio, a indústria e o vestibular da vez. Deve ter prédios, hiperlojas e shoppings com elevadores e atendentes uniformizados. É honroso um terminal de ônibus que não envergonhe a urbe e um Paço Municipal que o turista fotografe, afinal é o trono do chefe maior. Também deve ter cinema, teatro, apoio ao artista e lazer para a juventude. Uma cidade grande deve ser também uma grande cidade, produzindo bens de consumo, empregando sua gente, garantindo acessibilidade, limpeza e oportunidades, dispondo de uma imprensa imparcial e de mentes críticas que a tudo isso veja e expresse os anseios de seu povo.
Cidades! Como elas enganam! Isso me faz cantar a bela canção de Gilson – Casinha branca: “[...] Eu queria ter na vida simplesmente/ um lugar de mato verde pra plantar e pra colher/ ter uma casinha branca de varanda/ um quintal e uma janela para ver o sol nascer”.
COSTA FILHO, João Batista da que também representa o heterônimo Edgar Moreno.
É engraçado que, apesar dos pesares, terminamos amando nossa cidade. Por ela fazemos o verso e a prosa, votamos em quem não merece e nutrimos a cada quatro anos a esperança de dias melhores. E vendo outras menores até achamos que os 100 mil habitantes e a violência fazem dela uma cidade grande. Mas não o é. Nossa “Bacabália” tem muito a desenvolver-se.
E se teimares, leitor, provo-te que ela é apenas uma moça a mostrar-se assanhada. Viste no IBGE? Bacabal é apenas o 9º município mais populoso do Estado, atrás de Paço do Lumiar e Açailândia. Na economia ocupa a 4ª posição. Cidade grande não é qualquer lugar que tenha esquinas, bares e prefeito. Há requisitos categóricos para uma cidade ser dita grande. No trânsito, por exemplo, a cidade será grande se houver semáforos para veículos e pedestres. Se nesse trânsito cruzarem automóveis, carros-baú, motociclistas de jaqueta, furgões de firmas, entregadores de pizza e gás. Se esses mesmos carros tiverem vidro fumê e os motoras não derem a mínima para o menino de rua e para um idoso acidentado. Numa cidade grande dois rapazes sarados e inteligentes passam pelas moças indiferentes e seguem falando de faculdade e ipod. Nas paradas de ônibus, um monte de gente espera sua lotação, e nas caladas da noite plantões de farmácia e do jornal do dia, barzinhos, boemia, motel de luxo e ronda noturna.
Mas só o trânsito não define uma cidade. Na terra de João Mohana, estacionar no centro só na sorte ou pagando um privativo, nem por isso me atrevo chamá-la grande. Grande é São Luís, São Paulo e Nova Iorque, mas não a do Maranhão, com seus 4.600 habitantes.
É certo que no “velho Baca” do Zé do Forró já muitas coisas se confundem com os grandes centros: drogados, moradores de rua (como os dez por mim contados na Praça da Rodoviária). Nos canais de comunicação, a cada dia um caso novo regado a sangue, roubo, arrombamento e menores infratores. Aqui também se queimam mendigos vivos e se mata com requintes de crueldade. Há lentidão na Justiça, no SAMU e menores arrocham na direção, apesar das blitze. Também há propaganda enganosa, pactos políticos milionários e prédios públicos à base do aluguel. Há condomínios, quitinete, comércio-cadeia do próprio dono e vizinhos que não se conhecem. Há góticos nos cemitérios e mansos urubus nos lixões de estradas, numa decisiva marca que a cidade está crescendo e que algo cheira mal.
Vejo então que minha cidade não é tão pequena, todavia precisa crescer. E uma cidade grande requer muito mais. Nela há de ter portais de boas vindas e outdoors luminosos divulgando o comércio, a indústria e o vestibular da vez. Deve ter prédios, hiperlojas e shoppings com elevadores e atendentes uniformizados. É honroso um terminal de ônibus que não envergonhe a urbe e um Paço Municipal que o turista fotografe, afinal é o trono do chefe maior. Também deve ter cinema, teatro, apoio ao artista e lazer para a juventude. Uma cidade grande deve ser também uma grande cidade, produzindo bens de consumo, empregando sua gente, garantindo acessibilidade, limpeza e oportunidades, dispondo de uma imprensa imparcial e de mentes críticas que a tudo isso veja e expresse os anseios de seu povo.
Cidades! Como elas enganam! Isso me faz cantar a bela canção de Gilson – Casinha branca: “[...] Eu queria ter na vida simplesmente/ um lugar de mato verde pra plantar e pra colher/ ter uma casinha branca de varanda/ um quintal e uma janela para ver o sol nascer”.
COSTA FILHO, João Batista da que também representa o heterônimo Edgar Moreno.