Presidente estadual do PMDB afirma que não há o que se discutir internamente sobre eleição; Andrea Murad quer sigla forte e Roberto Costa diz que segue trabalhando
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| Senador João Alberto diz que qualquer articulação política deve esperar mudanças discutidas no Congresso |
Faltando pouco mais de 14 meses para a data das convenções partidárias – marco inicial das eleições municipais de 2016 – o PMDB ainda não iniciou uma ofensiva para definir os rumos da legenda para o próximo ano. O motivo, segundo o presidente estadual da sigla, senador João Alberto de Sousa, são possíveis mudanças no sistema eleitoral, o que deveria deixar qualquer partido “engessado” para definir caminhos neste momento.
A lógica do senador é a de que, em meio a tantas discussões no Congresso Nacional sobre a reforma política, qualquer manifestação partidária sobre alianças e conversas para afinar ações com outros partidos podem ser descartada.
Segundo João Alberto, até outubro, data-limite para que qualquer modificação na legislação eleitoral tenha validade no pleito de 2016, os partidos devem ficar atentos às discussões e como redefinir o futuro caso haja aprovações de propostas, como o fim das coligações ou o voto distrital nas eleições proporcionais.
“O Congresso Nacional está trabalhando uma série de modificações que poderão ser reais para 2016. Não adiantam debates exaustivos agora sobre composições ou alianças partidárias este ano. São desnecessárias. O momento agora é esperar”, afirmou o senador.
Diante dessa realidade apresentada por João Alberto, ele caminha comandando o PMDB estadual, ainda o principal partido de oposição no Maranhão. Para ele, não há o que se discutir no partido.
Mesmo com as recentes desfiliações, como a do ex-prefeito de São José de Ribamar Luis Fernando Silva e da ex-deputada Vianey Bringel, o presidente não vê queda do partido e diz que o momento político justifica perdas de quadros partidários.
Sobre Luis Fernando, João Alberto considera uma saída já possível desde abril de 2014 quando ele desistiu de concorrer ao Governo do Estado pelo grupo comandado pela governadora Roseana Sarney.
“Luis Fernando nunca foi de fato do PMDB. Ele ingressou no partido por um projeto do grupo que ele fazia parte. Se não foi adiante [o projeto], o normal era ele deixar a legenda”, disse João Alberto.
As demais saídas como a ex-deputada Vianey Bringel, João Alberto considera como uma decisão pessoal e não ideológica. Ele se refere à decisão do marido da ex-parlamentar, Roberth Bringel, que, por ter decidido pelo PSDB, acabou influenciando a esposa a ingressar na mesma legenda.
Fortalecimento
Apesar de o presidente minimizar as perdas de quadros partidários, dentro do PMDB o sentimento não é de tranquilidade e reorganização. A deputada estadual Andrea Murad, por exemplo, diz que o partido continua forte, mas a atuação da legenda como oposição deveria ser fortalecida com a afinação do discurso.
Para ela, faltam reuniões internas para definir atuações e cobranças de posturas de membros da legenda. “O PMDB é um partido forte e isso é indiscutível. Mas falta se fortalecer mais. Temos que afinar nosso discurso para continuar sendo o partido que sempre foi”, declarou a deputada.
Andrea Murad faz referência principalmente à atuação dos membros do PMDB na Assembleia Legislativa. Entre os quatro deputados da sigla na Casa, somente ela faz o papel de oposição.
Outros nomes, como o de Roberto Costa, Max Barros e ainda Nina Melo, são acusados de não agir como oposição.
Trabalho
Já Roberto Costa, presidente municipal da sigla, diz que o PMDB caminha normalmente para se fortalecer em 2016. Entre as ações previstas tem a filiação de nomes de destaque para a eleição proporcional ano que vem e uma reunião do diretório estadual para próxima semana para discutir candidatura própria ou composição no próximo ano.
“Seguimos normalmente diante do que a legislação eleitoral exige como a filiação de pelo menos um ano para ser possível a candidatura. Por isso, organizamos uma chapa já pensando na eleição proporcional”, afirmou Costa.
Gastão Vieira ainda não se desfiliou do PMDB
Entre os nomes que deixaram o PMDB após a derrota do grupo em outubro do ano passado, não está na lista ainda o do ex-deputado federal Gastão Vieira. Ele continua filiado ao PMDB mesmo já tendo participado de atos políticos como presidente do Partido Republicano da Ordem Social (Pros).
Desde março, que Vieira tem sido anunciado como o novo nome do Pros tendo ele tomado a direção da legenda antes pertencente ao ex-deputado Zé Vieira, de Bacabal. Gastão Vieira chegou a postar em redes sociais que o Pros continuaria na base de apoio ao governador Flávio Dino (PCdoB).
Todos esses movimentos do ex-deputado não são oficiais como presidente do Pros. Ele continua filiado ao PMDB. “O Gastão Vieira não estava preparado para perder a eleição, mas perdeu e agora não quer mais ficar no PMDB, mas até agora não se desfiliou”, disse o senador João Alberto.
Sobre sua permanência no PMDB, Gastão Vieira que está em Brasília se recuperando de uma cirurgia, disse que somente esta semana deverá resolver a questão de sua saída do PMDB. Segundo ele, ainda não havia deixado o partido por questões pessoais que estavam sendo resolvidas.
CARLA LIMA/O ESTADO
