Santa Teresinha mais uma vez
diante dos teus braços um desabafo venho fazer. Você que sempre foi minha
padroeira e assim me viu crescer. As vésperas de mais uma lembrança de meu
nascimento, assim prefiro falar, muito me preocupa o que está há acontecer; por
descaso e interesses de alguns minha essência estar.
A se perder, me recordo da
infância querida, da adolescência em que vivi momentos em que todos tinham em
mim a certeza de seus sonhos, pois grande produtora igual a mim poucos iriam
ser; usinas, indústrias, pastos, verdes campos e, principalmente, meu orgulho
maior que sempre engrandeceu meu nome com suas águas limpas e puras.
Hoje já não tenho o mesmo
vigor, ou, será, o mesmo valor de outrora?
Pois a quase centenária
Princesa do Mearim anda com a confiança e, principalmente, com o potencial
desacreditado por estes que são o futuro de um país, pois não sabem o que já
representei e que hoje me envergonha lembrar.
Albertos, Josés, Vieiras, Nonatos
e, ate mesmo Urbanos e Lourenços. Será que o que ofereci não bastou?
Esta será apenas mais uma de
várias perguntas sem respostas. Objeto sem valor, filho sem mãe, rio sem
curvas.
Como explicar?
Não sei!
Mas é assim que me sinto. O que
me resta é uma potente arrecadação financeira. Será por isto o embate de alguns
em minhas ruas esburacadas e em meus bairros esquecidos?
Não sei. O que sei e o que
vejo são pessoas aproveitando-se da fragilidade e de inocentes sofredores, o
descaso que não quer passar.
Ah Santa Teresinha!
Continuo caminhando compassadamente
em direção as margens de um Mearim cada vez mais esquecido, mas, olhando para
trás crio forças, pois vejo que a senhora ainda e sempre irá guardar-me em seus
braços.
A esperança, essa nunca
deixará de comigo caminhar.
“Desde o princípio, quando
eras bacabeira, foi em dezessete de abril de vinte”. Assim cantam os poetas e
assim busco forças e vejo que a simples fazenda na Praça da Conceição tornou-se
uma terra de filhos ilustres e pessoas abençoadas. Saio com as forças renovadas
e na certeza de que dias melhores estão por vir.
Guilherme Henrique