Uma outra visão para os 95 anos

Santa Teresinha mais uma vez diante dos teus braços um desabafo venho fazer. Você que sempre foi minha padroeira e assim me viu crescer. As vésperas de mais uma lembrança de meu nascimento, assim prefiro falar, muito me preocupa o que está há acontecer; por descaso e interesses de alguns minha essência estar.
A se perder, me recordo da infância querida, da adolescência em que vivi momentos em que todos tinham em mim a certeza de seus sonhos, pois grande produtora igual a mim poucos iriam ser; usinas, indústrias, pastos, verdes campos e, principalmente, meu orgulho maior que sempre engrandeceu meu nome com suas águas limpas e puras.
Hoje já não tenho o mesmo vigor, ou, será, o mesmo valor de outrora?
Pois a quase centenária Princesa do Mearim anda com a confiança e, principalmente, com o potencial desacreditado por estes que são o futuro de um país, pois não sabem o que já representei e que hoje me envergonha lembrar.
Albertos, Josés, Vieiras, Nonatos e, ate mesmo Urbanos e Lourenços. Será que o que ofereci não bastou?
Esta será apenas mais uma de várias perguntas sem respostas. Objeto sem valor, filho sem mãe, rio sem curvas.
Como explicar?
Não sei!
Mas é assim que me sinto. O que me resta é uma potente arrecadação financeira. Será por isto o embate de alguns em minhas ruas esburacadas e em meus bairros esquecidos?
Não sei. O que sei e o que vejo são pessoas aproveitando-se da fragilidade e de inocentes sofredores, o descaso que não quer passar.
Ah Santa Teresinha!
Continuo caminhando compassadamente em direção as margens de um Mearim cada vez mais esquecido, mas, olhando para trás crio forças, pois vejo que a senhora ainda e sempre irá guardar-me em seus braços.
A esperança, essa nunca deixará de comigo caminhar.
“Desde o princípio, quando eras bacabeira, foi em dezessete de abril de vinte”. Assim cantam os poetas e assim busco forças e vejo que a simples fazenda na Praça da Conceição tornou-se uma terra de filhos ilustres e pessoas abençoadas. Saio com as forças renovadas e na certeza de que dias melhores estão por vir.

Guilherme Henrique

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